Seguro viagem para idosos: o que muda depois dos 60 e como escolher
Foto: pasja1000 (Pixabay) · CC0Resposta rápida
Depois dos 60, o seguro viagem custa mais, e alguns planos têm idade máxima ou cobertura menor a partir dos 70, 75 ou 80 anos. Olhe três coisas: o valor da cobertura médica (na Europa, o mínimo exigido é 30 mil euros), a cobertura para doença preexistente (declare tudo o que você tem) e o regresso ao Brasil em caso de doença. O seguro do cartão de crédito pode servir, mas confira as regras de idade antes de contar com ele.
O que muda depois dos 60
Para a seguradora, idade é risco. Por isso, o seguro viagem é vendido em faixas de idade, e o preço sobe a cada faixa. As divisões mais comuns são até 60 anos, de 61 a 70, de 71 a 80 e acima de 80, mas cada empresa tem as suas.
Acima de 80 ou 90 anos também dá para contratar, mas o leque de seguradoras diminui. Comece a cotar com mais antecedência.
Na prática: não compre pelo preço da propaganda, que quase sempre é o de quem tem 30 anos. Faça a cotação com a idade real de cada viajante.
Quanto de cobertura médica levar
A cobertura médica (nas apólices aparece como DMH, despesas médicas e hospitalares) é o limite que a seguradora paga se você precisar de médico ou hospital. Uma internação lá fora custa caro, e depois dos 60 a chance de precisar é maior. Minha sugestão por destino:
| Destino | Cobertura médica sugerida | Por quê |
|---|---|---|
| América do Sul | A partir de US$ 40 mil | Hospitais particulares de Buenos Aires e Santiago cobram caro de estrangeiro |
| Europa | Mínimo € 30 mil (exigido). Para 60+, de € 60 mil a € 100 mil | O mínimo é para entrar; uma internação pode passar disso |
| Caribe e México | A partir de US$ 60 mil | Casos graves podem precisar de remoção para outro país |
| Estados Unidos e Canadá | A partir de US$ 150 mil | A saúde mais cara do mundo: poucos dias de UTI custam dezenas de milhares de dólares |
| Cruzeiro | Conforme o destino, com cobertura em alto-mar | O atendimento no navio é pago à parte e caro |
Valores de referência para quem tem 60+, não são regra. O único mínimo obrigatório da tabela é o da Europa (30 mil euros).
Doença preexistente: o ponto mais importante
Doença preexistente é qualquer condição que você já tinha antes de contratar o seguro, mesmo controlada com remédio: pressão alta, diabetes, problema de coração, colesterol, artrose. Depois dos 60, quase todo mundo tem pelo menos uma.
- O que costuma ser coberto: a crise aguda e inesperada durante a viagem, como um pico de pressão ou uma descompensação do diabetes. Mas só até um valor menor que a cobertura principal (o “sublimite” de preexistente). Olhe esse número na cotação.
- O que não é coberto: o tratamento que você já faz no Brasil, consultas de rotina e a doença crônica em si.
- Declare tudo. Na emergência, o médico vê o histórico, e a seguradora pede os registros. Se a doença foi escondida, o atendimento pode ser negado e a conta fica com você.
- Leve um relatório médico com o diagnóstico e os remédios que você toma, de preferência também em inglês ou espanhol.
De quem planeja isso toda semana
“O erro que mais vejo é comprar o seguro mais barato e esconder a pressão alta para pagar menos. Na hora da emergência, o histórico aparece e o seguro nega. Declare tudo e pague a diferença: é o dinheiro mais bem gasto da viagem.”
O que mais olhar na apólice
- Regresso sanitário: se você ficar doente, a seguradora paga a volta ao Brasil com acompanhamento médico, se for preciso. É caro e essencial.
- Acompanhante em caso de internação: passagem e hotel para um familiar ficar com você no hospital. Para quem viaja sozinho, faz muita diferença.
- Cancelamento por doença: devolve o que você pagou se tiver que desistir da viagem por motivo de saúde, seu ou de um familiar próximo. Depois dos 60, vale mais que o seguro de bagagem.
- Remédios: se o seguro paga os remédios receitados lá fora e até quanto.
- Atendimento em português, 24 horas, por telefone e WhatsApp.
- Rede credenciada ou reembolso: o ideal é a seguradora indicar o hospital e pagar direto. No reembolso, você paga lá fora e recebe depois, se tudo estiver certo.
Foto: Rhoda Baer · domínio públicoO seguro do cartão de crédito serve?
Cartões de categoria alta (Visa Infinite, Mastercard Black e parecidos) dão seguro viagem de graça. Pode ser um bom negócio, mas antes de contar com ele confira no regulamento:
- Se precisa pagar a passagem com o cartão. Em passagem com milhas, às vezes basta pagar as taxas com ele; às vezes não vale.
- Se tem limite de idade ou cobertura menor para quem tem mais de 70 ou 75 anos.
- Se cobre doença preexistente e até quanto.
- Por quantos dias vale. Muitos cobrem até 60 dias de viagem.
- Se é preciso emitir o bilhete do seguro antes de embarcar, no site de benefícios da bandeira. Para a Europa, imprima: é ele que você mostra na imigração.
Portugal, Itália e Cabo Verde: o certificado grátis
Por um acordo com o Brasil, quem vai a Portugal, à Itália ou a Cabo Verde pode ser atendido na rede pública de saúde desses países. Para isso, é preciso pedir antes o Certificado de Direito à Assistência Médica (CDAM), o antigo PB4, de graça, no gov.br. Peça com antecedência: a emissão pode levar algumas semanas.
Mas atenção: o certificado não substitui o seguro viagem. Ele vale só na rede pública, não paga a volta ao Brasil e não serve como seguro na imigração. Use os dois juntos.
Onde o seguro é obrigatório
- Europa (Espaço Schengen): cobertura médica mínima de 30 mil euros, com repatriação, válida para todos os dias da viagem. A imigração pode pedir o comprovante.
- Argentina: um decreto de 2025 prevê exigir seguro saúde de turistas estrangeiros, mas a cobrança na fronteira ainda é incerta. Vá com seguro de qualquer forma.
- Cuba também exige seguro na entrada.
- Brasil: não há seguro obrigatório em viagens nacionais. Se você tem plano de saúde, confira se ele atende fora da sua cidade.
Como contratar, passo a passo
- Cote com a idade real de cada viajante, em um comparador de seguros ou direto em duas ou três seguradoras.
- Declare as doenças que você trata, mesmo as controladas.
- Compare a cobertura médica, o sublimite de preexistente e o regresso sanitário antes de comparar o preço.
- Confira se a seguradora é registrada na SUSEP, a agência que fiscaliza seguros no Brasil, pelo site da própria SUSEP.
- Contrate para todos os dias da viagem, do embarque à volta, contando as conexões.
- Guarde o número da apólice e o telefone 24 horas no celular e num papel na carteira. Deixe uma cópia com alguém da família no Brasil.
- Na emergência, ligue para a seguradora antes de ir ao hospital, se der. É ela que indica onde ir e paga direto. Se não der tempo, avise assim que puder e guarde todos os recibos.
Quer ajuda para escolher?
Conte a idade de quem vai, o destino e as doenças que precisam de cobertura. A gente indica o seguro certo junto com o roteiro.
Perguntas frequentes
Seguro viagem para idosos é mais caro?
Sim. As seguradoras dividem os preços por faixa de idade, e cada faixa depois dos 60 costuma custar bem mais que a anterior. Alguns planos também têm idade máxima para contratar ou cobertura menor a partir dos 70, 75 ou 80 anos.
Existe seguro viagem para idosos acima de 80 ou 90 anos?
Existe. Algumas seguradoras vendem para qualquer idade, outras têm idade máxima. Acima dos 80, o preço é maior e a cobertura médica costuma ser reduzida, então faça a cotação com a idade real e confira o valor da cobertura e do limite para doença preexistente antes de comprar.
O seguro viagem cobre doença preexistente?
Muitos planos cobrem a crise aguda de uma doença que você já tinha, como um pico de pressão, até um valor menor que a cobertura principal. Não cobrem o tratamento que você já faz no Brasil. É preciso declarar a doença na contratação; esconder pode fazer o seguro negar o atendimento.
Qual o valor mínimo de seguro viagem para a Europa?
Para os países do Espaço Schengen, a cobertura médica mínima é de 30 mil euros, incluindo repatriação, válida por toda a viagem. Depois dos 60, vale considerar um valor maior.
O seguro do cartão de crédito serve para quem tem mais de 60 anos?
Pode servir, mas confira o regulamento: se há limite de idade, se cobre doença preexistente, por quantos dias vale e se é preciso pagar a passagem com o cartão e emitir o bilhete antes de viajar.
Brasileiro tem atendimento de saúde grátis em Portugal?
Sim, na rede pública, com o Certificado de Direito à Assistência Médica (CDAM, o antigo PB4), pedido de graça no gov.br antes da viagem. Ele também vale na Itália e em Cabo Verde, mas não substitui o seguro viagem, que é exigido na entrada da Europa e cobre repatriação.
Evandro Felix
Planejo viagens há 5 anos e criei a Voos de Primeira para ajudar mais gente a viajar melhor, gastando com inteligência. Atendo em Mogi Mirim (SP) e, online, pessoas do Brasil inteiro.
Aqui no Diário de Bordo eu conto o que aprendi planejando cada roteiro: o que vale a pena, onde dá para economizar e o que ninguém te conta antes de embarcar.


