Viajar com os pais idosos sem estresse: guia para filhos que organizam
Foto: Azoreg · CC BY-SA 3.0Resposta rápida
Viagem com os pais idosos dá certo quando é feita no ritmo deles. Antes de tudo, converse sobre o que eles querem e o que cansa. Escolha voo direto ou conexão longa, peça a assistência especial no aeroporto (é gratuita para 60+), fique num hotel com elevador e planeje uma atividade por dia, com a tarde livre. Leve os remédios na bagagem de mão, um resumo médico de cada um e um seguro viagem que cubra doença preexistente.
A conversa antes da viagem
O erro mais comum é o filho montar a viagem dos sonhos dele e levar os pais junto. Antes de escolher qualquer coisa, sente e pergunte:
Se for a primeira viagem longa depois de muito tempo, faça antes um teste curto: um fim de semana perto de casa mostra o ritmo real de todo mundo.
Como escolher o destino
O destino ideal tem voo curto ou direto, pouca ladeira, boa estrutura médica e passeios que não exigem caminhar muito. Alguns que costumam funcionar bem: Gramado, Foz do Iguaçu, Maceió, Águas de Lindóia, Portugal, Buenos Aires e cruzeiros. Detalhei dez opções no guia Viajar depois dos 60, e a viagem de navio no guia de cruzeiro para a terceira idade.
Costuma dar errado
- Roteiro com uma cidade nova a cada dois dias.
- Destinos de muita altitude, como Cusco ou La Paz, sem liberação do médico.
- Parques temáticos em alta temporada, com filas longas no sol.
- Cidades históricas de ladeira e pedra, como Ouro Preto, para quem anda com dificuldade.
Voo e aeroporto
- Voo direto sempre que der, mesmo um pouco mais caro. Se tiver conexão, que seja de pelo menos 2 horas.
- Voos durante o dia. Madrugada no aeroporto cansa e desorganiza remédio e sono.
- Peça a assistência especial para os pais na compra da passagem. É direito de quem tem 60 anos ou mais, mesmo viajando acompanhado, e inclui cadeira de rodas e embarque antes de todos. O passo a passo está no guia de assistência especial no aeroporto.
- Assento: pais no corredor, para levantar sem pedir licença; você ao lado.
- Cartões de embarque no seu celular e uma cópia impressa na bolsa deles.
- Mala leve para eles. Uma mala grande despachada por pessoa e, na mão, só o essencial: remédios, documentos, um casaco e um lanche.
De quem planeja isso toda semana
“Viagem com os pais dá certo quando o roteiro é feito no ritmo deles, não no seu. Eu monto com uma atividade por manhã e a tarde livre: quem tiver pique sai, quem quiser descansa, e ninguém volta brigado.”
Onde ficar
- Hotel com elevador e quarto em andar baixo ou perto do elevador.
- Banheiro com box, sem banheira, e se possível com barra de apoio. Pergunte antes de reservar.
- Quartos comunicantes ou lado a lado: privacidade para todos e você por perto se precisarem de algo à noite.
- Localização central, perto do que vocês vão visitar. Hotel barato e longe sai caro em táxi e em cansaço.
- Apartamento de temporada é bom para grupos grandes e para quem precisa de dieta especial, mas confira se o prédio tem elevador e quantos degraus há na entrada.
O ritmo dos passeios
- Nada no dia da chegada além de jantar perto do hotel.
- Um passeio principal por dia, de preferência de manhã, quando todos estão descansados.
- Tarde livre para cochilo, piscina ou um café.
- Um dia inteiro sem programação a cada três ou quatro dias.
- Plano B sentado: ônibus turístico, passeio de barco, teleférico, trem panorâmico. Bom para os dias de cansaço ou de chuva.
- Reserve restaurantes para não ficar em fila em pé, e prefira almoçar cedo e jantar cedo.
Foto: Rhoda Baer · domínio públicoRemédios, saúde e documentos
- Remédios na bagagem de mão, na embalagem original, com alguns dias a mais que a viagem e as receitas. Para o exterior, receita também em inglês ou espanhol.
- Atenção ao fuso: em viagens com mudança de horário, combine com o médico como ajustar os horários dos remédios.
- Um resumo médico de cada um, numa folha: doenças, remédios e doses, alergias, tipo sanguíneo, médico e contato de emergência. Uma cópia com você, outra na bolsa deles.
- Seguro viagem que cubra doença preexistente e regresso ao Brasil. Veja o guia de seguro viagem para idosos.
- Plano de saúde: em viagem pelo Brasil, confira se o plano dos pais atende em outras cidades ou só na região onde moram.
- Documentos: confira a validade do passaporte. Para Argentina, Uruguai e Chile, o RG serve, mas precisa ter menos de 10 anos de emissão, e muitos pais têm RG antigo. Resolva isso com antecedência.
Quando há demência ou mobilidade reduzida
Pai ou mãe com Alzheimer ou outra demência
- Converse com o médico antes: ele vai dizer se a viagem é indicada e como lidar com a mudança de rotina.
- Prefira viagens curtas e lugares já conhecidos. Ambiente novo e barulho podem aumentar a confusão, principalmente à noite.
- Mantenha a rotina de casa: horários de refeição, de remédio e de dormir.
- Identificação: pulseira ou cartão no bolso com nome, telefone do acompanhante e hotel. Tire uma foto da pessoa todo dia de manhã, com a roupa do dia: se ela se perder, ajuda muito.
- Cordão de girassol: avisa os funcionários do aeroporto que a pessoa tem uma condição que não aparece. Vários aeroportos distribuem de graça.
- Avise a companhia aérea ao pedir a assistência. Nunca deixe a pessoa sozinha no aeroporto, nem por poucos minutos.
Pai ou mãe com mobilidade reduzida
- Leve a cadeira de rodas própria, se tiver: ela vai de graça no avião e pode ser usada até a porta da aeronave.
- Pergunte em cada passeio se há acesso para cadeira de rodas, rampas e banheiro adaptado.
- Em destinos de muita caminhada, alugue uma cadeira ou um carrinho elétrico no local. Muitos parques e museus emprestam.
Viajando em família grande
- Um organiza, todos sabem: uma pessoa cuida das reservas e manda o roteiro com horários e endereços para o grupo.
- Revezem o cuidado. Cada dia um irmão fica responsável pelos pais, e os outros podem fazer um passeio mais puxado.
- Separe o grupo quando precisar. Não é falta de união: os netos vão ao parque aquático, os avós ficam no café, e todo mundo se encontra no jantar.
Quer dar essa viagem aos seus pais?
A gente monta o roteiro no ritmo deles, escolhe voos sem correria, pede a assistência no aeroporto e cuida dos detalhes. Você só aproveita.
Perguntas frequentes
Qual o melhor destino para viajar com os pais idosos?
Um lugar com voo curto ou direto, pouca ladeira, boa estrutura médica e passeios que não exigem longas caminhadas. Serra gaúcha, Foz do Iguaçu, praias do Nordeste com orla plana, Portugal e cruzeiros costumam funcionar bem.
Como organizar os passeios numa viagem com idosos?
Uma atividade principal por dia, de preferência de manhã, com a tarde livre para descanso. Evite passeio no dia da chegada, deixe um dia inteiro sem programação a cada três ou quatro dias e tenha sempre um plano B sentado, como um passeio de barco ou de ônibus turístico.
Dá para viajar com um pai ou mãe com Alzheimer?
Muitas vezes sim, principalmente na fase inicial, com o aval do médico. Prefira viagens curtas, destinos já conhecidos, voos diretos e uma rotina parecida com a de casa. Use uma pulseira ou cartão com nome e telefone de contato, avise a companhia aérea e peça a assistência especial.
Os pais idosos podem pedir assistência no aeroporto mesmo viajando com os filhos?
Sim. A assistência especial é um direito de quem tem 60 anos ou mais, viaje sozinho ou acompanhado. Os filhos podem pedir junto na compra da passagem. É gratuita e inclui cadeira de rodas e embarque prioritário.
Evandro Felix
Planejo viagens há 5 anos e criei a Voos de Primeira para ajudar mais gente a viajar melhor, gastando com inteligência. Atendo em Mogi Mirim (SP) e, online, pessoas do Brasil inteiro.
Aqui no Diário de Bordo eu conto o que aprendi planejando cada roteiro: o que vale a pena, onde dá para economizar e o que ninguém te conta antes de embarcar.


